sábado, 26 de maio de 2012

Áudios da PF mostram influência de Cachoeira
em revista das Organizações Globo

Revista Época teria produzido reportagens que favoreceram interesses do bicheiro

A edição desta semana da revista CartaCapital, que chegou às bancas nesta sexta-feira (25), traz mais indícios da influência que o grupo do bicheiro Carlinhos Cachoeira exercia em diversos veículos da imprensa. Segundo a reportagem, Cachoeira e seus aliados teriam exercido influência para publicar notícias também em veículos das Organizações Globo para fragilizar adversários. Eles também exerceram influência na revista Veja.


CartaCapital mostra como Idalberto Matias Araújo, mais conhecido como Dadá, considerado o braço direito de Cachoeira, negociou com o diretor da sucursal da revista Época em Brasília, Eumano Silva, a publicação de informações contra a empresa Warre Engenharia, uma concorrente da empreiteira Delta em Goiás.

Por causa da reportagem supostamente encomendada, a Warre figurou na lista de suspeitas da Operação Voucher da Polícia Federal, que mais tarde resultou na queda do então ministro do Turismo Pedro Novais. A empresa depois acabou sendo inocentada.



A reportagem de CartaCapital afirma que Cachoeira era "uma espécie de sócio oculto da construtora Delta, empresa para a qual seu grupo fazia lobby".

A revelação sobre as relações entre o grupo de Cachoeira e a Época acontece após Leonardo Gagno, advogado de Dadá, informar à CPI do Cachoeira que o trabalho do araponga consistia em abastecer veículos de comunicação, e que “é notório que o interesse de Cachoeira era usar essas informações no mundo dos negócios”.

A negociação entre Dadá e o jornalista da Época para a publicação de textos de interesse da Delta foi flagrada em interceptações telefônicas da Polícia Federal. A revista CartaCapital teve acesso a cinco ligações telefônicas entre os dois.

Na primeira, Eumano Silva diz para Dadá “muito boa, aquela história”, se referindo às informações sobre a Warre. Pertencente ao empresário Paulo Daher, a Warre atropelou os interesses da Delta em Goiânia (GO). Silva adianta, naquele dia, que o Jornal Nacional iria falar dos grampos da Operação Voucher.

No quarto áudio, Eumano liga para Dadá avisando-o da possibilidade de a Delta aparecer no escândalo do Ministério do Turismo, o que, segundo a revista, comprovaria que o jornalista sabia exatamente a quem interessava a divulgação das denúncias contra a Warre.

A PF interceptou também conversas do grupo com o repórter Eduardo Faustini, da TV Globo, para uma reportagem sobre compra de votos para prefeito numa cidade do interior. A reportagem não foi ao ar, segundo Faustini.

Em outra gravação, Silva fala com Dadá sobre o que saiu no Jornal Nacional, comenta do grampo de Frederico da Silva Costa, ex-secretário-executivo do Ministério do Turismo e comemora que não “apareceu o nosso assunto”, justamente a parte da Warre. Dadá então especula que “devem falar depois que vocês (revista Época) fizerem (a matéria)”. Silva diz que já foi tudo mapeado da Warre, e que foi tudo “encaminhado”. E se despede de Dadá: “Tamo (sic) junto, amigão. O que tiver aí a gente chuta para você”:

Em outra conversa, Eumano avisa a Dadá que um post no Twitter de um jornalista que avisava da possibilidade de a Delta aparecer no escândalo do Ministério do Turismo. Isso demonstra que ele sabia do interesse do araponga em proteger a Delta. Esse é o único áudio em que Silva liga para Dadá, e não o contrário.

Há ainda ocasião em que Dadá parece estar com a matéria da Época contra a Warre na mão e comenta que “o nosso contato”, provavelmente Cláudio Abreu, da Delta, disse que eles (a matéria é assinada por quatro repórteres) “foram na ferida certinha”. Silva, contudo, se ressente por conta da falta de repercussão da matéria da Época, porque naquele mesmo fim de semana a revista Veja tinha publicado uma reportagem de capa contra o ex-ministro da Agricultura Wagner Rossi.

 Por: R7.com

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