terça-feira, 22 de maio de 2012

Dia de CPI do Cachoeira tem miss, cacique e palhaço

Bicheiro não abriu a boca, mas os curiosos tiveram muito para dizer
Isabela Azevedo, do R7, em Brasília
MissesBeto Barata AE
Candidatas ao título nacional, 27 misses, representando todos os estados, desfilaram em frente à comissão

Enquanto o bicheiro Carlinhos Cachoeira tentou se esquivar dos holofotes e fez de tudo para não falar, curiosos aproveitaram a intensa movimentação de políticos e da imprensa para chamar a atenção. Várias “personalidades” abordavam parlamentares: um cacique, um palhaço, misses de todos os estados e um homem que dizia ter denúncias antigas contra o esquema do contraventor.

O Cacique Paulo Apurinã veio do Amazonas passar uma temporada em Brasília. Membro do Conselho de Combate à Corrupção Nacional e Controle dos Gastos Públicos, o indígena decidiu ir à CPI para cobrar dos deputados e senadores mais recursos do programa “Minha Casa, Minha Vida” para a Região Norte.

— Essa situação do Cachoeira sacudiu o Brasil, os Estados e os municípios. Com certeza, é mais fácil encontrar parlamentares aqui na CPI [para conversar], tanto do governo como da oposição.

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O palhaço Vanderlei Couto, conhecido como Paiasim Betel, também estava a postos para falar com parlamentares. Militante do PSDB, Paiasim disse que veio de Curitiba visitar o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) e deputado Fernando Francischini (PSDB-PR) - companheiros de legenda e conterrâneos.

— A gente quer acompanhar essa história [do Cachoeira] de perto. Falaram que o camarada desviou dinheiro. É verdade ou não é? O povo não pode se acomodar!

palhaço Vanderlei Couto
Militante do PSDB, palhaço viajou para Brasília com o objetivo de conhecer parlamentares de seu estado (Foto: Isabela Azevedo/R7)

O agricultor Walter Paiva estava engajado na tarefa de conseguir a atenção de jornalistas, deputados e senadores. Nas mãos, trazia um documento com o título “Denúncia urgente: senador Demóstenes tomando banho de Cachoeira”. No texto, dizia que desde 2004 sabia do envolvimento de Cachoeira com Demóstenes Torres (sem partido-GO).

— Fui ouvido durante seis horas na polícia por causa da minha denúncia na época. Esse depoimento era uma chance para eu cobrar a investigação da minha denúncia.

No Túnel do Tempo do Senado, onde fica a ala de comissões que abrigou o depoimento de Cachoeira, mais de cem jornalistas - entre repórteres, fotógrafos e operadores de câmera - se amontoavam para conseguir um clique ou uma fala reveladora. Quando muitos profissionais se concentravam em frente às Câmeras, a dica estava dada: alguém importante deveria estar concedendo entrevista.
Em um desses momentos de euforia de jornalistas, uma repórter chegou a perguntar se era Cachoeira quem estava falando. Não era. Assim como bicheiro, o motivo do burburinho também não era muito de falar.

Candidatas ao título nacional, 27 misses, representando todos os estados, desfilaram em frente à comissão. Diferentemente de Cachoeira, o silêncio das beldades não incomodou ninguém. Praticamente não conversaram com a imprensa, mas, solícitas, posaram para o clique dos fotógrafos e os olhares dos admiradores.

Cacique Paulo Apurinã
Indígena decidiu ir à CPI para cobrar dos deputados e senadores mais recursos para o “Minha Casa, Minha Vida” (Foto: Isabela Azevedo/R7)

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